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Esta adaptação de Dom Quixote parte de várias paisagens onde imaginaram o cavaleiro da triste figura: alagado nos arrozais do Mondego e tisnado pelo sol do Alentejo; perdido nas estradas nacionais e cavalgando em contra-mão nas auto-estradas; sentado num sofá, adormecido em frente ao televisor, rodeado de cassetes VHS, exemplares de coleccionador da revista Cavaleiro Andante, jogos da PlayStation, e claro, os dois volumes da obra original de Cervantes.

Interessa o país de berma da estrada e as camadas de alcatrão que o formaram desde os anos sessenta até estes malquistos anos zero, onde tudo pode acontecer, incluindo um rapaz de vinte anos acreditar que é capaz de fazer como um velho fidalgo e sair de casa (mochila às costas e guitarra na mão) para merecer os favores das suas paixões.

Com banda sonora original de Tó Trips e Filipe da Costa, este Dom Quixote será também uma mistura do Man With No Name de Sergio Leone, do Sam Spade, de Dashiel Hammet, do Batman de Tim Burton, e do Zeca Afonso de… Zeca Afonso.

Este novo espectáculo tem como ponto de partida uma obra ímpar do panorama literário internacional e é dirigida a públicos de todas as idades, havendo por isso uma temporada para público escolar.

Abordar esta obra representa um enorme desafio, uma vez que os dois heróis de Cervantes são certamente uma das duplas mais emblemáticas da cultura ocidental, sendo esta uma óptima oportunidade para que os alunos de várias idades entrem em primeira vez em contacto com este imaginário.

Por outro lado, este espectáculo insere-se numa discussão que O Teatrão decidiu fazer, durante o biénio 2009/2010, sobre a necessidade da fantasia, do sonho, ou se quisermos, da utopia nas sociedades actuais.

Dom Quixote é, sem dúvida, um dos exemplos mais perfeitos de quem ousa viver um mundo acima das suas possibilidades e Sancho, o fiel escudeiro que tenta refrear as suas investidas.

Tudo em aventuras que tanto têm de hilariante como de trágico.

http://oteatrao.blogspot.com

 

Oficina Municipal do Teatro

Rua Pedro Nunes

Qta da Nora

3030-199 Coimbra

INTERSECÇÕES – ARQUITECTURA E ANTROPOLOGIA EM DEBATE

 

A próxima sessão de “A Cena no Café” tem lugar no dia 16 de Novembro, segunda-feira, pelas 18h00, no Café-Teatro do Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra.

Dedicada aos cruzamentos entre a arquitectura e a antropologia, contará com a participação dos arquitectos José António Bandeirinha e Paulo Providência e dos antropólogos Luis Quintais, Nuno Porto e Sandra Xavier.

A ocasião servirá também para a apresentação dos Colóquios de Outono da Universidade de Coimbra, agendados para a semana seguinte, este ano com o tema “Intersecções: antropologia e arquitectura”.

 Vocacionada para o intercâmbio teatral entre os países de língua portuguesa, a Cena Lusófona integra nas suas actividades o contributo de várias disciplinas, com particular destaque para a arquitectura e a antropologia. Entre os projectos que têm sido desenvolvidos por esta associação sediada em Coimbra encontram-se, por exemplo, o inventário de espaços cénicos dos países africanos, coordenado por José António Bandeirinha, e a investigação sobre as artes performativas tradicionais nos países da CPLP, da qual resultou já a produção de dois documentários sobre os narradores orais de São Tomé e Príncipe e outro sobre o Carnaval de Bissau, bem como o álbum fotográfico de Augusto Baptista sobre o “Auto de Floripes”, também em São Tomé e Príncipe.

Arte multidisciplinar por definição, o teatro assume-se assim como um dos óbvios palcos de intersecção entre arquitectura e antropologia, contribuindo para iluminar muitas das possibilidades de relacionamento e de inspiração recíproca entre elas.

A Cena no Café

INTERSECÇÕES – ARQUITECTURA E ANTROPOLOGIA EM DEBATE

com os arquitectos José António Bandeirinha e Paulo Providência

e os antropólogos Luis Quintais, Nuno Porto e Sandra Xavier

16 de Novembro (segunda-feira)

Coimbra, Café-Teatro do TAGV, 18h00

PELO SONHO É QUE VAMOS

Duas Actrizes, duas Mulheres, duas personagens (?) e uma outra personagem, que as acompanha, conforta… e incomoda. Trata-se de um músico que unifica o espaço tragicómico e grotesco, onde os intervenientes se cruzam dentro e fora de um sonho que inevitavelmente conduz para um fim – a morte. Acontecem em palco como todos nós na vida: num eterno sonho.

Devorada a obra do autor, todo o processo de produção foi rápido, intenso e divertido… como o próprio espectáculo, esperamos! E desenganem-se os que consideram o texto fora de tempo (ou de moda): as palavras e ideias mostram a sua intemporalidade, tornando-se por vezes de uma actualidade confrangedora.

Inventada a história, seguiu-se o sonho (que isto do Teatro é como as cerejas – sempre umas atrás das outras). Esta alquimia está agora pronta a ser partilhada com o público e tudo faremos para que o entusiasmo subjacente ao enredo passe para quem assistir à peça, a primeira de uma Trilogia denominada “Sonhos”.

Ficha Técnica


Textos Raul Brandão
Dramaturgia Pompeu José, Glória de Sousa e Isabel Feliciano
Encenação Pompeu José e Urze Teatro
Cenografia Trigo Limpo Teatro Acert e Urze Teatro
Assistência de Encenação Ilda Teixeira e Sandra Santos
Música Paulo Araújo
Desenho de Luz Paulo Neto
Elenco Glória de Sousa, Isabel Feliciano
Participação especial como actor e intérprete musical Paulo Araújo

A Companhia de Teatro de Braga e A Escola da Noite estreiam em Coimbra no próximo dia 19 de Novembro, quinta-feira, o espectáculo “Sabina Freire”, de Manoel Teixeira-Gomes.

Uma homenagem a um dos mais interessantes políticos portugueses da Primeira República, cuja obra literária permanece demasiado desconhecida. 

 Teatro da Cerca de São Bernardo, entre 19 de Novembro e 3 de Dezembro, de terça a sábado, às 21h30 e aos domingos às 16 horas.

SABINA FREIRE
de Manoel Teixeira-Gomes
uma co-produção A ESCOLA DA NOITE – COMPANHIA DE TEATRO DE BRAGA
no âmbito das Comemorações do Centenário da República

 

“O Autor escreve para se entreter e o mais curioso é afigurar-se-lhe que deve insistir na classificação de COMÉDIA a uma peça na qual há veneno e morte em cena. Afirmando o Autor que “riu e riu com gosto ainda nas passagens mais trágicas e que COMÉDIA será eternamente.”  Manoel Teixeira-Gomes (em nota anexa à edição de Sabina Freire)

 

Teatro da Cerca de São Bernardo Coimbra
19 de Novembro a 3 de Dezembro Terça a Sábado – 21h30 | Domingo – 16h00
info 239718238 telemóvel 966302488 e-mail geral@aescoladanoite.pt M/12

 

Sabina Freire. O espectáculo e os Portugueses
Em Sabina Freire, sejamos claros, estamos numa verdadeira luta de cabeças. E essa luta é uma luta de fêmeas! As mulheres mandam. Os homens fazem parte do universo dos fantoches (o bando, como lhes chama Sabina). Mesmo quando Júlio se atreve a abandonar a dor de cabeça para o confronto derradeiro com Sabina, o resultado é ficar finalmente a conhecê-la.
Se analisado na época em que foi escrita e se analisado hoje, passados quase 100 anos, deslumbramo-nos (se ainda nos soubermos deslumbrar) com o material Sabina, que Teixeira- Gomes nos legou. Nós, portugueses, tão velhos como afirmamos e tão incapazes de nos descobrirmos na modernidade que transportamos. Tão ciosos das nossas vitoriazinhas morais, tão mesquinhos e fanfarrões, tão capazes de cuspir para o ar e tão invejosos da saliva dos vizinhos, “espreitas” profissionais, serventuários sem espinha, intrujões na autoestima e portadores no adn de ontológico sentimento de inferioridade congénito, fomos e somos “vistos à lupa” pela cabeça de Teixeira-Gomes. Continuamos um povo em ruínas, em que o Castelo de Silves como diz Sabina, é “a sua mais nobre ruína, a sua única ruína histórica”, pensa ela, “ nesta região só abundam monumentos e ruínas nos corações e nas almas! E no entanto eu levo daqui a impressão de uma terra luminosa, onde tudo sorri… Se eu a povoasse de novo e a meu jeito podia ser feliz vivendo nela…” é, quiçá, um bom exemplo. Pouco ou nada mudou de relevante entre o tempo da escrita de Sabina e o tempo em que a vamos representar. E aí reside a grandeza do Autor e a pequenez dos “observados”. Por isso Sabina antes da partida dispara ainda “ Excluía a gente velha: crisol do egoísmo sem graça; os padres: e talvez os poetas líricos da espécie do Júlio.”
Fim da espécie de sinopse.
Rui Madeira

Eugenio Barba

THE SKY OF THE THEATRE

Speech to thank the members of the Academy of Music and Theatre of Estonia for bestowing the title of Doctor Honoris Causa, Tallinn 27 September 2009.

A friend advised me: “For this honour you receive in Estonia, a country you have never visited, you should thank them with a “prophetic” speech. You should talk of the theatre as fatherland.”

Noticing my sceptical reaction, he quoted a great Italian actor of my age, Carmelo Bene, who died a few years ago. He had said: fatherland in a prophet.

It was the paradoxical reversal of the ancient evangelical saying: nobody is prophet in his own country, Each of us has at least nine lives, as many as a cat is said to have. But among my nine lives, none is as a prophet. As I am unable to foretell and preach, I will speak once more about the only reality in which I recognise myself: the house in which I live.

Theatres are humble hovels, even when they are embellished with gold, plaster and velvet. They are always small and rustic when compared to the grandeur of the shows which gloriously populate our periphery? An island of freedom? An exile which at length wearies?

- Are you not fed up with theatre after almost fifty years?

I was asked this question, word for word, by three different people during the last few months. It is normal for an old man with white hair. Two of my interlocutors were inexperienced youths, facing their own choice to be actors with apprehension. The third was an older colleague. To all of them I answered: no, I was not fed up. The pressure of the work weighs more than before, but on the other hand my patience has increased. I know that it is only a matter of time, and sooner or later even the most tangled circumstances will find a solution. For the most part, it is a sensible solution that was merely hidden. In rare and fortunate cases, I manage to find a way out through obstacles which appeared insurmountable. Despite the many years passed in the profession, still today unexpected paths suddenly open up, making me feel like a beginner on the threshold of new explorations. “Young” paths remove the feeling of tiredness from my shoulders and bones. My elderly colleague insisted:

- Are you really not fed up? To be honest, I don’t believe you.

- Yet it is so.

- Why?

- How long do I have to answer you?

- A couple of words.

- Then I will tell you: because in theatre I see the sky.

- Ridiculous!

- What you call ridiculous is the richness of theatre. Its mystery.

He threw back at me a scornful question:

- Is the ridiculous the mystery of the theatre, or is it its mystery which is

ridiculous?

- Both the one and the other.

- Do me the favour of explaining it.

I did this by telling him a fable. In a corner of a square in a village where people live most of the time in the open air, there is a small puppet theatre. An ancient story is being performed: the tragic life of Orestes who avenges his father, kills his stepfather who is an usurper and, blinded by fury, stabs his mother. Revenge is a duty for a warrior, but matricide is a crime without remission. Orestes fears the lightning of the gods. He scrutinises the sky to guess the punishment that will be inflicted upon him. Death? Madness?

While the puppet Orestes tries to look beyond the blue curtain of the sky that hides the abode of the gods, one of those sudden summer storms is unleashed, typical of hot countries. The small puppet theatre is shaken by the wind, the set is demolished and the blue paper of the sky splits in two. But the split reveals nothing to the puppet Orestes. Up there, there are no divinities sitting on the clouds or on the tops of the mountains.

Orestes keeps on looking, waiting for an answer. But he sees only a void. The Age of Myths is ended and that of bare Reason begins. Orestes has become Hamlet.

- Not bad! – said my elderly colleague – did you invent this story?

- No, it is told by a character in Pirandello’s novel

Personally, I don’t think that Orestes is the representative of the ancient world, and Hamlet the exponent of the crisis of conscience in modern times. They are always simultaneously present. For me, this simultaneous presence of opposites is the theatre.

- Are you trying to tell me that, as director, you observe your actors as if they were the directors of your mental theatre? Is this the makes you see?

- My actors are the flash, the contradictions of “reality” as it is – not as I imagine it. And I can work on this

one glance with the technique of a craftsman.

- Therefore you assert that you are not fed up with theatre despite the inevitable routine, the endless hunt for money and the obligation always to start afresh?

- Exactly, despite all of this.

- Tell me: how would you define the sky?

- In a couple of words?

- Yes, just a couple.

- That which protects me from life.

- And the theatre?

- The same.

- Then you believe in the gods!

- Yes, but only in unbelieving gods.

I am not exaggerating when I say that theatre is what protects me from life. I believe that theatre is not only a profession, but a small and somewhat childish microcosm in which I may live other lives. Does its vulnerable space of fiction and the fact that it is a game, leave lasting forms behind it, a smaller art, or an exercise of knowledge that can transcend art?

Today theatre has a lot of natures. But none of them can create the proverbial monument “which lasts longer than bronze”. Beyond any goal and sense that each of us gives to the nature of the theatre we are doing, our work doesn’t remain, although it forges relationships. It serves to make us travel, each of us, within our own inner individual, and together with others. Its roots are relationships, both before and after the performance, between those people who do theatre and those who watch it: relationships connecting past and present, history and biography, intention and action, the person and the character, the visible and the invisible, the living and the dead.

The microcosm of the theatre is not fed by success. Its triumphs are only the foam of the surrounding indifference which breaks onto the beaches of our theatrical islets.

This is what experience teaches us. Just as Vasili Vasilich Svetlovidov, the actor protagonist of his greenroom and woke up in the solitude of the theatre abandoned by actors and spectators. His only companion was the prompter, accustomed to living under the stage, as a mouse, but a young mouse enthusiastic over the miracles of the stage. To him Svetlovidov, a protagonist of comedies and a defeatist in life, displayed his wisdom: the sacredness of art is a nonsense, it is only delirium and deception.

It is also delirium and deception to complain endlessly about the decadence of the theatre, about its inadequacy with regard to the spirit of the time, its destiny as a small business, a mere workshop with a sense of inferiority towards the great industry of the spectacle, and fearful of being swept away.

Theatres are not only workshops, imposing buildings or crumbling hovels which shelter and keep alive our darkest needs. They may be small houses, yes, but with many staircases.

What is it that nourishes the theatre microcosms? Not technology, but personal technique. Small techniques, barehanded, not solitary, and lived in common. For this very reason they give life to fatherlands in miniature. The winds of acclamation and dissent pass, but if the relationships and techniques respond to our own inner values, to our mythologies and superstitions, then they are able to oppose resistance, to come into contact with the outside and to escape isolation. Provided they are not satisfied with the first steps, on which those people who love and enjoy theatre often sit only briefly, without feeding its discontent. As when we eat without hunger and drink without thirst which, according to Baudelaire and Artaud, are mortal sins for whoever is called to the arts.

The theatre’s personal techniques are staircases, they descend and climb. Our theatre house is endless when it has such staircases.

I think of certain old houses in the countries of the South, at the mercy of damp, deprived of comfort, invaded by shade, with small windows that seem to fear heat and light, and shut out the bright landscapes of the sea and the olive trees. In these houses people live at close quarters, and mutual impatience often taints their daily life with the anguish of imprisonment. But in each of these houses a small staircase blackened by time leads to a flat roof where you can stand: a terrace deprived of handrails, which obliges you to be alert because a false step can send you plunging to the ground.

A house with a flat roof on which the sky impends. And where each of us can converse with ourselves, losing our gaze over the horizon.

In only a couple of words: theatre, for me, is similar to such a house.

Translated from Italian by Judy Barba

Com um pouco atrasso escrevo meus apontamentos sobre o espetáculo Solo a ciegas( com lágrimas azules)   da coreografa  Olga Mesa que integrou a  a programação do Festival Y#7 (ainda em curso), no Teatro Municipal da Guarda.

Um espetáculo, ao meu ver, irregular.  Seja pela presença de múltiplos signos; seja por algumas questões outras relacionadas a  espacialização da cena que desviavam a atenção do corpo imanente.

O corpo projetado e refletido em cena faz-nos pensar  num corpo expandido ou, naquilo que venho desenhando teoricamente nos meus rascunhos  e conversas academicas, ao qual denomino de teatro expandido. (em breve pretendo publicar um pequeno artigo sobre o assunto).

Penso que gostaria de vê-la em outro espaço e outro espetáculo.

Foi uma pena que não pudessemos conversar após este espetáculo.

Outro breve pensamento ( que nada tem a ver com o espetáculo). Se por um lado, nós especialistas em teatro, encontramo-nos  vivenciando  uma sequência de experiências, informações, tecnologias no campo das artes performativas;   o público, geralmente  não as acompanha com a mesma atenção. Há um hiato ao qual os programadores com certeza estão atentos – a formação do público.

Nesse sentido me pergunto o que deseja o público ao assistir um espetáculo de performance ? O que deseja o artista? Deveriam (publico e artista) desejarem a mesma coisa? Como se faz esta mediação? E, principalmente, quem são os mediadores?

As perguntas de sempre… Perguntas fortes!

Mas como diria Boaventura de Sousa Santos nos dias de hoje…as respostas é que estão fracas. Ou não?

Abraço

José Simões

 

 

vreuniao

Armando é um dos dramaturgos portugueses contemporâneos  a quem tenho imenso carinho.

Ele atua o tempo todo para ser lido, encenado e discutido. Isso para alguns pode parecer a uma exposição excessiva e incomoda. Para mim trata-se de um homem aguerrido! Apaixonado pelo teatro.  Sabe do que escreve. Intuição na sua escrita é predicado o sujeito é o conhecimento e o domínio da teoria teatral. Basta ler seus textos para notar que não acaso na sua escrita.

Nesse sentido busca sempre a visibilidade da sua obra e da dramaturgia portuguesa como um todod. Já o vi oferecer  a jovens artistas oportunidades que não são comuns nos dias de hoje. Abre-lhes oportunidades.

 Armando acredita no seu sonho e deseja partilhar e ver vicejar a sua dramaturgia. Todavia, não quer estar só.

Conhece a força do coletivo.

No  seminário Espetáculo Teatro Cidade, realizado em Coimbra, fez uma belissima trajetória da dramaturgia contemporânea portuguesa e não se incluíu nela. Mostrar o “outro” foi objetivo da sua intervenção. Pois, acredita que o teatro português deve ser fortalecido por um conjunto de dramaturgias e as reconhece.

Em São Paulo no II Seminário expôs a sua obra.  Teatro portugu~es contemporâneo no Brasil.

Escrevopara partilhar com os leitores que a sua vinda ao Brasil fez vicejar outras moradas para um dos seus textos.

Torço muito para que dê certo!!!

Não escrevo nada mais…espero que ele conte a sua versão da história

Eu continuo a propor e estimular oportunidades para mais teatro português no Brasil e, vice versa, mais teatro brasileiro em Portugal. De grão em grão…

Abraços

Terceiro sinal para escola da praça

Com o início da seleção de professores, é dada a largada para o centro de ensino teatral da Roosevelt

Beth Néspoli

 

 

Começa hoje, com a abertura do processo de seleção de professores, a concretizar-se o sonho de construção da São Paulo Escola de Teatro, um centro de formação de artistas teatrais situado na Praça Roosevelt, estruturado sobre uma base pedagógica inovadora, voltado sobretudo para formação de técnicos das artes cênicas. Idealizada e planejada por um coletivo de artistas – a partir de uma proposta feita diretamente pelo governador José Serra ao dramaturgo e ator Ivam Cabral, fundador do grupo Os Satyros numa de suas visitas ao espaço da trupe na Praça Roosevelt – trata-se de uma escola estadual, pública e gratuita, dirigida para jovens que tenham cursado o 2º grau. Será criada e mantida pelo governo do Estado e terá sua sede no número 210 da Roosevelt, ao lado do Espaço dos Satyros, num prédio de onze andares, atualmente vazio, que passará por uma reforma radical.

Ao custo de 4,2 milhões, onze andares serão transformados em seis, para abrigar salas com pé direito alto, espaço para cenotecnia, camarins, biblioteca, teatro. O resultado da licitação foi publicado no Diário Oficial semana passada e espera-se que no segundo semestre próximo ano a adaptação arquitetônica esteja terminada. “Com isso o governo do Estado consolida uma ação de revitalização que se deu pela atividade dos grupos de teatro”, afirma o secretário de Cultura João Sayad.

Instalações definitivas só no ano que vem, mas a escola, cuja inauguração oficial está prevista para o dia 25 de novembro com a presença do governador José Serra, não vai esperar, e já está funcionando, provisoriamente, na Oficina Cultural Amácio Mazzaropi, no Brás, prédio de 1911, que também passa por uma reforma. Lá a reportagem do Estado conversou com o diretor dos Satyros Ivam Cabral, responsável também pela direção da escola, e com o coordenador pedagógico Alberto Guzik. Antes de mais nada, chama atenção o planejamento curricular, cuidadosamente elaborado, dia a dia, para os dois anos de formação regular, que tem como linhas mestras o conceito de artistas formando artistas, de não-hierarquização de funções e de integração e articulação entre os diversos saberes.

Não foi trabalho de curto prazo. “Quando o Serra propôs, em 2006, que pensássemos num centro de formação, imediatamente nos demos conta que era um projeto muito maior do que os Satyros”, diz Ivam Cabral. “Era para a cidade, para ficar muito depois de nós. Daí convidamos artistas de coletivos teatrais para pensar junto. Serroni e Raul Teixeira – referências em suas áreas -, eu nem conhecia pessoalmente. Foram mais de dois anos de reuniões. Os coordenadores foram sendo definidos naturalmente, no processo, mas o projeto é fruto de muitas colaborações”, diz Ivam. Em 2006, os Satyros desenvolviam um trabalho no Jardim Pantanal, na zona leste. “Essa experiência nos levou a pensar em formação técnica.”

Não por acaso metade das vagas da escola será priorizada para alunos da rede pública. “E haverá bolsas de estudo com valores em torno de R$ 500 para cem alunos”, garantiu José Serra em entrevista, por telefone, ao Estado (leia acima). “Os saberes de ofício sempre foram transmitidos de artista para artista. Isso está se perdendo”, observa Guzik. Daí, a base conceitual fundada na articulação entre prática e sistematização de conhecimento. “Guilherme Bonfanti (o coordenador de iluminação, integrante do Teatro da Vertigem) não é apenas um técnico de luz: é artista criador, um mestre”, diz Ivam. “A gente descobriu famílias de camareiras, avó, mãe, filha. Nos Satyros jamais haverá camareiras, os grupos não trabalham com contrarregras, mas são profissionais requisitados em grandes salas, no cinema e na televisão. Numa conversa, Serroni (coordenador de cenografia) falou sobre perucas. Quem usa isso? Pois os musicais precisam desses profissionais”, completa Ivam.

Funções de bastidores serão aprendidas pelos alunos que escolherem “técnicas de palco” como curso. “No palco há toda uma maquinaria e cordames que vêm da indústria naval”, diz Guzik. A sistematização do ensino teatral é mesmo recente. Saberes sempre foram passados através das gerações na atividade cotidiana. Quem recebia o bastão seguia adiante e o conhecimento avançava, quase naturalmente, tanto por sutis e lentas adaptações aos novos tempos como pela inovação pessoal dos mais talentosos. Uma pedagogia bem planejada pode recuperar esse processo vital no disperso espaço urbano. “Toda formação teórica, e a extensa bibliografia, estarão integradas à prática”, observa Ivam.

Guzik ressalta a contribuição de José Simões. “Formado pela Unicamp, doutor pela USP, ele formatou o curso de artes cênicas da Universidade de Sorocaba. Nós ainda pensávamos em termos de grade, disciplinas, e ele nos fez ver que era modelo ultrapassado. A pedagogia contemporânea trabalha com conceitos como matrizes e componentes em processo integrado e dinâmico. Nada é estanque ou isolado.” Cada um dos oito cursos tem o seu coordenador (veja abaixo) e haverá processo de seleção para professores e alunos, estes em número de 25 por curso.

A primeira etapa de seleção para aprendizes será uma redação. Para professores, currículo. “Artistas não raro são maltratados pelo poder público. Por isso, acho importante sublinhar a ação do governador, dizer que tivemos inteira liberdade pedagógica e recebemos muito apoio do secretário de Cultura João Sayad e do secretário adjunto Ronaldo Bianchi”, diz Ivam.

O teatro das Beiras  é um lugar teatral  singular. ( numa antiga fábrica)

As rugosidades presentes no espaço teatral  instauram no imaginário do espectador a memória do lugar.

Fui assistir a montagem – Antígona de Sófocles ( B. Brecth). Pude ver a companhia pela primeira vez em ação. Em breve lá voltarei para acompanhar o outro espetáculo  da companhia ( Hotel da Província)

Gosto da montagem.

Hoje escreverei acerca dos procedimentos técnicos relacionados com a montagem. Se tiver tempo mais adiante escreverei uma observação crítica da encenação.

É importante, antes, destacar a pertinência de se levar a cena este texto em tempos de busca por poderes unânimes ( maiorias absolutas) e da eliminação da diferença.

Aceitar a diferença é algo difícil.

Trata-se de reconhecer a sua existência.Torná-la visível.  Ignorá-la ou suplantá-la. .. bem… isso é fácil. Se faz com a força e o poder.

Seguem aqui os meus registros. Ele funcionam como uma estratégia de pensar em voz alta.

O teatro ao meu ver  tem perdido esta capacidade de pensar em voz alta. Ficamos todos batendo nas costas uns dos outros e não avançamos na discussão. Sinto necessidade de  abrir as discussões.  Meus alunos e colegas  precisam saber qual é a minha posição e o meu modo de ver a cena atual.

Pergunto aonde estão os investigadores, artistas ou teóricos debatendo os espetáculos ? É certo que perdeu-se ( não somente em Portugal, mas no mundo todo) o espaço da crítica teatral jornalística. Vamos, então, fomentar outros espaços de discussão. O exercício da discussão no teatro é árduo.

Vamos lá ao meu exercício:

São atores jovens  que “agarram” o texto. Gosto disso!  Destaques à atriz que interpreta, com a força que lhe é devida, a Antigona;  e o ao ator que realiza, de modo pontual, o Mensageiro. ( Estou sem o programa na mão. Imperdoável não citá-los nominalmente)

A encenação não carrega em si ousadias.  A meu ver a cena inicial é  deslocada em relação a proposta que se vê ao longo da montagem. ( mas como já escrevi anteriormente deixo a encenação para outro post)

Começo pelos pontos fortes. A música é uma surpresa. Ela pontua o espetáculo de modo sóbrio, sem excessos, sendo reponsável pelos bons momentos da encenação. Novamente, os atores correspondem adequadamente a difícil tarefa de cantar em cena. 

Como nos faz falta compositores para o teatro  que conheçam as especificidades do trabalho cênico? Trabalhei durante anos com um maestro (Edilson de Lima) quando dirigia teatro. Ele compunha durante os ensaios os primeiros traços daquilo que viria a ser a paisagem sonora da montagem. São parcerias fundamentais!

Quanto à cenografia: a estrutura remeteu-me a idéia de uma antiga fábrica. Os elementos   ( tubulações) invadindo o extracênico,  amplivam e revelavam  outros espaços imaginados. Ao meu ver adequada à proposta da encenação.

As ressalvas ficam  quanto à iluminação e o figurino. Tive a impressão de que não dialogaram entre si. As cores dos figurinos não resultaram bem na iluminação proposta.  Os tecidos escolhidos para os figurinos não foram uma boa escolha para um palco com a dimensão reduzida de contato entre o público e a cena – as imperfeições saltam aos olhos – (reforçadas pela iluminação).

Iluminar lugares teatrais não edificados para este fim requer quase sempre soluções que vão além do uso dos refletores. A dimensão reduzida do espaço, as imperfeições presentes na caixa, sua altura, ângulo dos refletores são mais do que dificuldades. Roberto Gill Camargo, colega na Universidade de Sorocaba, falava sempre aos alunos da força do branco e da dificuldade que se tem em fazer a luz respirar no espetáculo. A iluminação de Antígona, ao meu ver,  não faz o espetáculo pulsar.

Bem, fico por aqui.

Até a próxima

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